Buzianos de sangue ou de coração relatam seus momentos no isolamento

Saiba como alguns moradores de uma das cidades turísticas mais famosas do mundo estão passando por esse momento delicado devido ao Coronavírus.

ALEXANDRE VERDADE – Produtor de Eventos

A Rotina está completamente alterada, filhos em casa, fora da escola. Sou autônomo, trabalho com produção de eventos, uma das áreas mais afetadas, umas primeiras suspensas, quando orientaram a não ter nenhum tipo de aglomeração.

Tudo programado até agosto foi canelado, o Degusta Búzios, por exemplo, mas sou extremamente a favor do isolamento horizontal, seguindo a OMS, Governos do estado e o municipal, a orientação muito importante para ficar em casa, logico que quem puder.

Meus rendimentos estão muito abaixo, mas tenho casa própria, graças a Deus, não falta comida, me sinto privilegiado Tivemos a iniciativa de criar o grupo (Quarentena Búzios no Facebook), a realidade da grande parte da população foi até o estimulo de criar o grupo que está ajudando pessoas sem renda, grupo de risco, principalmente quem vai ficar sem comida, estamos tendo um retorno ótimo.

Um recado que deixo é que as pessoas fiquem em casa, momento crucial, chegamos a mais de 800 mortes, e agora os números tendem a dobrar. Por amor ao grupo de risco, pelos idosos, temos poucos respiradores no hospital, mais que na hora das pessoas ficarem em casa, temos mais de 3 mil idosos em Búzios, se fizer conta simples a conta não fecha com respiradores.

Momento de quem está em casa ficar e seguir orientações do Ministério da Saúde, prefeitura e etc.

Dicas para o isolamento

Livro ‘7 hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, Stephen Covey. Já li e estou fazendo uma releitura e Ciência e cura Prânica de Choa Kok. Estou vendo a série Marielle no Globoplay e vendo conteúdo gratuito na internet, museus e etc.

LUISA BARBOSA – Professora e Escritora

A rotina semanal foi alterada completamente. Ainda que goste muito de rua e de gente, sempre fui muito caseira, e busquei uma rotina calma, o que é fundamental para o trabalho intelectual. Mas o que procurava fazer durante uma pequena parte da semana, se tornou agora a semana inteira. E não tem a praia nem a feirinha de quinta para extravasar as emoções, nem os saraus do Lemes e da Praça, nem a banquinha de livros… uma melancolia só. Tenho lido mais, estudado música, participado das redes de solidariedade e luta da cidade que têm sido promovidas com primor pela ressuscitada Fecab (viva!) e pela Frente Feminista de Búzios, planejado aulas e aproveitado o que pode ter de bom nesse momento tão duro para a sociedade. Transformar o karma em dharma, o limão em limonada. Mas, infelizmente, tenho clareza de que o pior ainda está por vir, especialmente para a população mais pobre. Todos acompanharam com assombro a demissão de mais de 400 professores do município e, se não nos unirmos contra essas ações escabrosas, será só o começo. Ao mesmo tempo, acredito profundamente na capacidade de reinvenção dessa sociedade doente, tão apegada ao material. Acredito no mundo novo que pode vir a surgir.

Ainda que lideranças políticas irresponsáveis, que só pensam em reeleição, defendam que “é só uma gripezinha” e que “o Brasil não pode parar”, é preciso adotar a prática de isolamento social o máximo possível, e o Estado deve garantir meios de subsistência para que todos possam viver dignamente. Afinal, para quê serve (ou não serve) o Estado?! A proposta de auxílio de R$600 (para não citar a de R$200 proposta pelo presidente) é mais que ridícula. É preciso defender um programa de renda mínima para a população em geral e não faltam recursos para isso. Não à toa, logo quando foi decretada a pandemia, a primeira ação do Ministro Paulo Guedes foi socorrer os bancos com um pacote de 1,3 trilhões. Para que eles não quebrassem e garantissem crédito a população. Crédito não dado, e confirmado recentemente pelo governo para justificar uma ação semelhante do BNDES, diga-se de passagem. Seria cômico se não fosse trágico: os bancos que não geram nenhuma riqueza à sociedade, só parasitam o trabalho do povo, recebem trilhões. O povo, esse sim, merece todo crédito a fundo perdido pois o dinheiro na sua mão dinamiza a economia local e permite que a roda da economia gire dignamente.

Teve também uma alteração no rendimento econômico. Tenho uma hospedaria literária chamada casa da latência, que tem como objetivo estimular processos criativos em diversas áreas: acadêmica (teses, dissertações, monografias), cultural (livros, músicas), aula de línguas, culinária ou ócio criativo. Durante esse período, todas as atividades estão suspensas. Também trabalho fora do Brasil em pesquisas científicas e realizo um pós-doutorado na Europa. Todas essas atividades também estão paralisadas, e o rendimento vindo delas, idem.

Quando tudo voltar ao normal eu quero é que nada volte ao normal. Que os passarinhos continuem a cantar nas grandes cidades; que a qualidade do ar se torne leve e pura; que os motociclistas não alterem o escapamento do cano de descarga fazendo aquele barulho horrível que aterroriza todos os seres vivos; que os rios e lagoas se tornem limpos de uma vez por todas; que fundemos em nossa cidade uma moeda social solidária, para estimular a economia local; que se espalhem hortas comunitárias, auxílio de jovens aos idosos, gestão coletiva e solidária da educação das crianças e saibamos que os filhos da terra são todos nossos;  que a estrada da usina fique fechada como área de lazer aos finais de semana; que o nosso grande SUS tenha o investimento que merece; que as redes de solidariedade e afeto continuem a todo vapor e que descubramos – de uma vez por todas – que não precisamos do Estado. É ele que precisa de nós.

Dica para o isolamento

Estou vidrada nas playlists da Dj Lea, que ela faz por encomenda, pra matar a saudade  da feira; no 13 Lunas do Rodrigo Codesso e no álbum da Kalu Coelho, tudo disponível via spotify. Tem também uma gravação linda de Casa Aberta com o Trio Maravilha (Kalu, Rodrigo e Robertinho Silva) rolando nas redes da #quarentenaliteraria do Cidade Biblioteca. Ando com tanta saudade da nossa turma – amorosa e talentosa que só – que quero ouvi-los para senti-los mais perto. Filmes: vá atrás do mestre Charles Chaplin, atualíssimos e disponível facilmente no YouTube. Leitura: recomendo as mais densas que se tem, para desfrutarmos com deleite e tempo:Grande Sertão, Veredas, do nosso gênio Guimarães Rosa (pra ler em voz alta!); Ulisses, de James Joyce; Ilíada e Odisseia, de Homero… e estou também muito apegada a uma obra de quase 800 páginas da Simone de Beauvoir, chamada Os Mandarins, sobre a volta à vida normal na Europa do pós-guerra *aproveito para lembrar que a Biblioteca Comunitária de Cem Braças está aberta no esquema pegue e leve, sem contato com ninguém, todo final de semana na Rua Progresso 146, onde funciona o Churrasco Literário do Edu, o poeta Dudu Pererê

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MIRINHO BRAGA – Administrador de Empresas, trabalho, com meu filho Raphael, na loja Construir Búzios

Minha rotina foi totalmente alterada, diminui em 80% meu ritmo de trabalho. Só tenho ido no escritório fora do horário de expediente, a noite quanto tenho poucas possibilidades de contaminar ou ser contaminado por outras pessoas. Estou aproveitando este tempo para concluir minha pós graduação em gestão pública. É fundamental que tenhamos o máximo de cuidado com nossa saúde e com a saúde do outro.

Estão politizando o coronavírus, como se a cloroquina fosse da direita e a quarentena da esquerda. Vivemos um caos onde todos têm razão, todos têm expertise em virologia e economia. As redes sociais criaram milhares de doutores desenhados e lapidados por Fake News.

É lógico que o ideal é fazer quarentena, mas nem sempre o ideal é o possível, sabemos que têm muita gente que precisa sair para trabalhar, pessoas cuja profissão é essencial para a coletividade. Os extremos são distantes e não conseguem enxergar o oposto. Está havendo uma queda de braço onde quem vai se machucar será o povo, principalmente o povo mais carente.

Minha opinião é extremamente simples:

O COVID-19 não atinge apenas o sujeito em si, ele ataca o sistema de saúde, nosso sistema de saúde é frágil, sendo assim é fundamental que os governos possibilitem que o cidadão tenha condições financeiras de ficar em casa. Ficar em casa não significa que você não vai ter a doença, mas dará mais tempo ao setor público preparar melhores condições de trabalho no sistema de saúde.

O governo federal está na contramão do que a OMS estabelece, este comportamento pode fazer um estrago no sistema de saúde e causar milhares de mortes. Para minha surpresa, tenho visto com bons olhos as ações do governo do Estado.

A nível municipal devemos fazer as seguintes perguntas: quantos leitos temos? Tem remédios em quantidade suficiente? Conseguimos adquirir quantos respiradores? Já compraram os kits de testes? Nossos profissionais da saúde estão tendo proteção?

De nada adianta medidas demagógicas de diminuir 20% dos salários (o que não vai resolver nada) e não preparar o sistema de saúde municipal para encarar essa pandemia. Acho que, infelizmente, nenhum buziano tem, hoje, esta resposta.

(Sofreu queda na renda econômica com o isolamento?) Claro que sim, a maioria absoluta das pessoas vão sentir, a crise agora chama-se coronavírus, quando tudo isso passar será a economia. Penso que nunca mais seremos os mesmos depois da quarentena.

Gosto de conversar, abraçar, beijar, rir com os amigos. Nunca pensei que sentiria tanta falta dessas coisas. Acho que estou crescendo, aprendendo a mudar conceitos e, em consequência disso, criar novos paradigmas. A vida é um aprendizado, o coronavírus veio para mostrar o quanto somos frágeis. Não é uma gripezinha, se pude, faça um esforço e fique em casa!

Dica para o isolamento

Tenho lido muito, a Bíblia tem sido um instrumento de reflexão diária, li também crônicas de Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda, várias autores brasileiros. Estou lendo pela segunda vez e quero sugerir “A Elite do Atraso” de Jessé de Souza. Assisti recentemente o filme “O Milagre na Cela Sete”, recomendo também “Democracia em Vertigem” um documentário de Petra Costa.

LUCIANA PASSOS – Artesã

Rotina muito alterada, dependemos muito do comercio e turismo, muito difícil. Rotina muito alterada. Sem rendimento.

Isolamento e medidas, segundo medicina e ciência dizem e muito sério mas planejamento zero em áreas como no social e econômica.

Fala para ficar em casa é difícil para muitas pessoas que como eu, é o sustento do dia a dia.

A união e a solidariedade houve muito. Muitas pessoas se movimentando em prol das máscaras que estamos fazendo no projeto Bonecas Negras. Incrível o que aconteceu nesse sentido.

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JULIO MEDEIROS – Fotógrafo, atualmente estou fotografando mais por hobby, restaurando fotos e fazendo captação de imóveis

Minha rotina foi sim alterada com isolamento, principalmente no emocional, e que tem levado a uma viagem mais compacta ao ID.  As medidas de isolamento devido essa pandemia são super importantes, mas grandes conflitos de interesses envolvendo o governo federal, e que apenas uma pequena parte seria relativo a saúde, não concordam. Principalmente ao grupos ligado ao presidente, que insisti em a dizer que é uma gripezinha, e ao mesmo tempo que não reconhece o vírus recomenda o remédio Cloroquina. A quarentena tem que continuar, mundo inteiro sabe que não é uma invenção da esquerda, como alguns amigos aqui.

Devido as medidas de isolamento houve diminuição de rendimento em diversos setores, em alguns queda total, comparado a casos complicados que estamos vendo por aí. No meu caso estava iniciando uma produção de licor artesanal e tive que dar uma parada

 Mas estou aproveitando esta quarentena para organizar crônicas que tinha escrito e escrever   outras, já que uma amiga editora me pediu para lhe enviar umas crônicas e deve editar e me mandar um livro. O isolamento está me fazendo voltar a escrever.

Em relação com essa doença espalhada pelo mundo, tenho recebido notícias de amigos da Inglaterra, Canadá, França, Japão, Argentina, Chile, Portugal… todos mundo completamente apavorados, diferente daqui, pessoas fazem manifestação e pregação para ir pra rua, pessoas que seguem o presidente e foram para as ruas, hoje estão pedindo oração para parentes internados. É como diz o ditado: ‘Só se reforça a segurança quando a casa foi arrobada’.

Amigos! Isso não é apenas uma gripezinha, cuidem-se, e da família de vocês também!

Dica para o isolamento

Escuto músicas aleatoriamente, Jazz e Blues gosto muito, principalmente à noite. BB king, John Mayer, Eric Clapton, Magic Slim, ouçoPink Floyd, MPB Djavan, Gil, Zeca Baleiro, Caetano,Raul Seixas, Tim Maia…

Também vejo séries, vi fantástica, (Sigmund) ‘Freud’, primeira temporada. Não sei se virão outras. O último Filme que assisti foi o ‘O Poço’, o filme a princípio é muito doido, mas depois se vê que não tem nada de doido. Retrata de outra forma como é nosso vida atual. Reli Gabriel Garcia marques, ‘Crônica de Uma Morte Anunciada’. Li também Eduardo Galeano, ‘O Livro dos Abraços’, são pequenas histórias com conteúdo. E comecei a ler o ‘O Idiota’, de Dostoievski, cujo personagem principal, a princípio é bem parecido com o governante atual.

STEPHANIE LANGE – Garçonete

Dependia do trabalho e agora não recebo nada. O isolamento achei bacana, mas a velocidade dos testes me decepciona, porque não temos casos confirmados de quem já foi até curado! A renda foi a zero.

Alô galera, que quer voltar as ruas, sei que está difícil ficar sem dinheiro e faltar comida na geladeira! Vamos cobrar as medidas necessárias para ajudar a manter o isolamento, porque se você se contagiar, não teremos leitos e nem respiradores para um colapso aqui na península!

  Dica para o isolamento

Recomendo a série ‘How To Get Away With Murder’

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FERNANDO BARTOZZI –  De tudo um pouco, Técnico em Turismo, Guia de Turismo e como hobbie atividades culturais.

Tinha um calendário de eventos que iria seguir, e infelizmente foram cancelados. O ‘Canta Búzios’ não sei se conseguirei realizar. A Parada da Diversidade LGBT, vamos tentar adiar.

A situação está dolorosa, principalmente para quem trabalha no setor de turismo e eventos. Mas as medidas de isolamento são necessárias. Estou me reinventando. Se não posso estar com as pessoas, crio conteúdo de casa e assim seguimos juntos.  

É difícil para todos nós esses tempos, mas é necessário tudo que estamos fazendo. Espero que a gente tire disso coisas boas e grandes aprendizados. E claro, fique em casa, por favor!

Dica para o isolamento

Gosto de séries colegiais, ‘Elite’ e ‘Riverdale’ na Netflix são minhas preferidas. Ultimamente, ando lendo pouco, mas gosto do livro ‘O Terceiro Travesseiro’, melhor livro com temática LGBT que li. Banda, eu gosto de Fosther The People, mas fã de carteirinha eu sou da Xuxa, RBD, Lady Gaga. Ah, ouça ‘Stupid Love’, novo single da Gaga.

ANA LAURA DAGORRET – Fotógrafa

Como trabalho em turismo a minha rotina foi interrompida desde o dia 14 de março, quando deixei de trabalhar e, por tanto, deixei de gerar dinheiro. Acho certo as medidas, quem sabe sobre a prevenção da doença fala que a melhor forma de evitar o contagio é o isolamento.

O meu rendimento teve uma alteração total. Assim que o trabalho foi interrompido, parou de entrar dinheiro. Eu não tenho salário, gero meus ingressos com o trabalho diário que realizo.

Ignore toda pessoa que utiliza a ignorância para discutir as medidas dos cientistas e médicos e reclame do estado o dinheiro que você paga com seus impostos para receber nesse tempo. Muitos países do mundo estão ajudando suas populações com medidas de auxilio económico, só no Brasil que isso não acontece por causa de um incompetente no governo.

  Dica para o isolamento

Recomendo muito qualquer livro de Gabriel García Marquez, especialmente Cem anos de soledade. Também livros de aventura e fantasia, do tipo O senhor dos Aneis ou a saga de Harry Potter. Também indico o show de Bob Marley em Santa Barbara de 1979, uma obra maestra. Recentemente assisti o seriado Unortodox de quatro capítulos, achei sensacional.

FOTOS: ARQUIVOS PESSOAIS

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